Software é direcionado a quem ainda não possui proteção contra pragas.Empresas antivírus temem que Microsoft abuse dos canais de distribuição.

A Microsoft lançou na semana passada o antivírus gratuito chamado Microsoft Security Essentials (MSSE). A empresa já havia entrado no mercado de antispywares com o Microsoft Antispyware, mais tarde renomeado para Windows Defender e incluído no Windows Vista. O antivírus chegou depois, com o nome de OneCare, mas não era gratuito e foi descontinuado. Agora, a Microsoft muda sua estratégia ao oferecer somente um antivírus para uso doméstico e não cobrar por isso. Conheça o novo software na coluna de hoje.

A proposta da Microsoft: o que o MSSE não é

Como o nome sugere, o Security Essentials não busca oferecer uma proteção completa e sim o essencial – ou seja, o básico. O objetivo da Microsoft, segundo ela própria, é dar uma opção nova àqueles usuários que não possuem antivírus instalado. Números fornecidos pela empresa sugerem que 60% dos computadores não têm um antivírus. Essa estatística foi questionada, mas ainda assim é certo que alguns PCs não têm software de segurança contra pragas digitais, muitas vezes por questões de desempenho, considerando-se os notórios problemas dos antivírus nesse quesito.

Programa de instalação não passa dos 9 MB, mas requer Windows original.

A nova solução gratuita não é direcionada a empresas. A Microsoft tem outro produto, o Forefront, que é pago, para esse mercado. Embora o Forefront tenha recursos diferenciados para uso em rede, o MSSE é tão focado em remoção de vírus que se assemelha mais ao Forefront do que ao descontinuado OneCare, que trazia uma suíte de aplicativos para manutenção do sistema.

O Security Essentials atende apenas ao usuário doméstico, e principalmente quem precisa de um software leve e razoável. A qualidade existe, mas o programa não dispõe de tecnologias que hoje podem ser encontrados em boa parte dos softwares, como a análise de comportamento (HIPS), que é capaz de detectar vírus desconhecidos.

No entanto, ele é o primeiro antivírus da Microsoft a utilizar o Dynamic Signature Service (DSS). Com essa tecnologia, o programa monitora a atividade dos aplicativos em execução. Quando uma atividade suspeita é detectada, informações são enviadas para que seja verificada a existência de uma assinatura. Com isso, o usuário estará protegido mesmo sem estar com a última atualização do MSSE, já que uma assinatura específica será baixada dos servidores quando necessário. O DSS deve ser incluído também no Forefront, o que fará com que ambos trabalhem juntos, melhorando o produto corporativo da Microsoft.

Leve, básico, simples e somente para Windows original

A simplicidade do “Essentials” é percebida até no programa de instalação: apenas 8,6 MB para Windows ou 4,7 MB para Windows Vista. Esse número pode ser comparado aos 30 MB das versões gratuitas do Avast e do AVG, por exemplo, e aos 33 MB do Avira. Antivírus e suítes pagas são ainda maiores.

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A instalação não deve apresentar nenhuma dificuldade ou opção avançada. Há apenas um detalhe: ela verifica se a cópia do Windows instalada no computador é original.

Quando a instalação termina, é apresentada a tela inicial da interface do programa. Limpa e direta, ela faz uso de cores para informar se tudo corre bem (verde) ou se há problemas (vermelho). Na tela exibida é possível realizar uma verificação do sistema, que deve iniciar automaticamente se a opção no final da instalação foi deixada ativa. Há uma aba para verificar atualizações, uma para o histórico e quarentena, e outra para configurações.

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Há bastante para se ver na parte de configurações, mas praticamente nada do que está ali precisará ser mudado na maioria dos casos. A coluna faz apenas a recomendação de trocar a ação recomendada no caso de infecção para Quarentena, para que o programa não remova arquivos legítimos acidentalmente.

O MSSE vem programado para realizar uma varredura rápida uma vez por semana, mas isso não deve causar impacto no desempenho do PC. Dois motivos para isso: o software só realiza a operação se o sistema estiver ocioso, e a varredura rápida faz jus ao nome – levou apenas dois minutos no notebook usado pelo teste do G1 (Core 2 Duo 1,7 Ghz com 1 GB de RAM e disco rígido de 5400 RPM).

Não foi perceptível nenhuma queda significativa no desempenho do sistema, embora a quantidade de memória disponível no notebook de teste fosse a mínima recomendada pela Microsoft para a instalação do programa.

Quando uma praga digital é encontrada, o MSSE exibe um alerta pop up a partir da barra ao lado do relógio. Ali é possível tomar diretamente a ação recomendada ou ver mais informações. Nenhum alerta sonoro é emitido.

Reação da concorrência, desempenho e conclusão

A pergunta de muitos usuários certamente é: “devo trocar meu antivírus pela nova oferta da Microsoft?” Essa é uma questão difícil de responder. Não há como avaliar criteriosamente um software que acabou de ser lançado. Não é nem razoável supor que o desempenho inicial dele seja mantido – ele pode melhorar ou piorar nos meses seguintes. Ainda é cedo para fazer qualquer julgamento.

Estudo pago pela Symantec mostra suposta superioridade do Norton Antivirus.

É normalmente considerando deselegante falar de concorrentes, mas isso não impediu a ESET (do NOD32), a Symantec (Norton), a AVG e a Alwil (Avast) de se pronunciarem ao site Ars Technica.

Para a Symantec e ESET, o Security Essentials simplesmente não compete com as soluções pagas. Para a Alwil, a disponibilidade de mais um software de segurança gratuito é positiva, mas a empresa diz, basicamente, que o aplicativo não está em pé de igualdade com o Avast ou mesmo com o concorrente AVG. Já a própria AVG disse estar receosa de que a Microsoft use seus canais de distribuição (como fabricantes de PCs e as atualizações do Windows) para “empurrar” o programa.

Apesar de ser verdade que o Security Essentials não dispõe de muitos recursos, especialmente os pró-ativos e de defesa (com exceção do DSS), um teste recente do laboratório AV-Test mostrou que o programa não é tão ruim no que se propõe a fazer: 98,4% de 545 mil pragas foram detectadas, taxa que os realizadores do teste consideraram “muito boa” e – ao contrário do que disseram os concorrentes – comparável às demais ofertas do mercado.

Vale lembrar que quase o mesmo foi dito a respeito da entrada da Microsoft no mercado antispyware. O Windows Defender acabou sendo integrado ao Windows Vista e programas dedicados à erradicação de spywares sumiram, sendo integrados aos antivírus.

Se você tem curiosidade para conhecê-lo, o Security Essentials não vai tomar muito tempo no download, nem muito espaço em disco para ser instalado. Mas se você está contente com seu software antivírus, não perca tempo. O Security Essentials não veio para concorrer com o que há de melhor no mercado. Considerando a proposta da Microsoft, ele não será, nem busca ser, o “melhor” antivírus. O nome “Microsoft”, no entanto, parece estar incomodando as empresas antivírus.

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Fonte: Site Globo.com