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Google corre atrás de Twitter e Facebook com o Buzz, bate-papo coletivo com fotos, vídeos e mapas, e causa polêmica entre especialistas

Rio – Oito meses após propor (até agora sem sucesso) reinventar o e-mail com o Google Wave, o gigante das buscas abocanhar um quinhão nas redes sociais com o Google Buzz. Em vez a interface pesada e do conceito confuso, entre em cena um produto de visual simples, e acesso direto a conteúdos. Mais importante: sem fila para conseguir convites. Quem usa Gmail ganha automaticamente acesso ao Google Buzz.

Em cada conversa (chamada buzz), é possível inserir fotos, vídeos, links, feeds e tweets, graças à integração com Twitter, YouTube, Flickr, Picasa, Google Reader, e Blogger. E pode ser acessado do celular, integrado ao Google Mapas.

O atalho para o Buzz aparece junto à caixa de entrada. No primeiro acesso, o usuário descobre um grupo que o Google Buzz escolheu para segui-lo (com base nos contatos mais frequentes por e-mail e chat), e pessoas que ele pode seguir.

Lembra a timeline do Twitter. Cada buzz é uma conversa entre vários usuários. Pode ser um papo público, rastreável pelo Google, ou restrito a um grupo de contatos. Não há limite de 140 toques. Quando alguém comenta um buzz, um e-mail de alerta é enviado aos participantes da conversa.

Se você acha que é mais do mesmo, não está sozinho. “Parece uma tentativa apelativa de correr atrás do ‘prejuízo’ causado pelo Twitter. Acho muito parecido e menos completo”, diz Michel Lent, designer gráfico e vice-presidente de Criação da Ogilvy Interactive. O cientista chefe do IdeaGroup, Sergio Cabral Cavalcanti, é ainda mais crítico. “É um produto desnecessário. Não traz inovações e a implementação é fraca em relação à segurança e à privacidade”.

Arquiteto de software e diretor de TI da Samba Ventures, Roberto Nunes aprovou a novidade: “Já usava o Google Reader como agregador de notícias, Gmail, além de Twitter e FriendFeed como ferramentas sociais. A integração de tudo no Buzz melhorou minha comunicação e tornou tudo mais divertido”, avalia.

A integração entre Buzz e Twitter causa controvérsias. O internauta pode colocar o Twitter entre seus sites compartilhados. O que ele publicar no Twitter aparece como um Buzz. Mas não o contrário. Pelo menos por enquanto, já que o Google admite a intenção de permitir o caminho de volta.

O designer de interação André Malheiro, vê vantagens em relação ao Twitter. “No Buzz a conversa fica toda reunida num mesmo lugar”, elogia. Ele está entre os que criticam as configurações de privacidade. “Falta um botão para reproduzir o que alguém diz, como no Twitter”, diz Edney Souza, especialista em redes sociais da agência Pólvora.

Para o Google, o Buzz tenta dar relevância às redes sociais e reduzir o ruído. O problema é que a existência de tantas redes talvez seja o maior dos ruídos.

Mapas no celular

O Google Buzz pode ser usado no smartphone, criando uma conversa organizada no espaço. Por meio de uma camada no Google Maps, o Buzz mostra ao usuário o que está sendo falado no Buzz por pessoas ao seu redor.

“O Buzz não se baseia apenas em quem você segue, mas também em onde você está”, disse Vic Gundotra, vice-presidente de Engenharia do Google, no lançamento. O aplicativo já funciona com Android 2.0 e iPhone e ganhará versões para Blackberry, S60 e Windows Mobile. Mais: google.com/mobile/buzz

Questão de privacidade

Estratégia conveniente de lançamento, a adição automática de seguidores provocou muitas críticas. O jornalista e humorista Ulisses Mattos achou inconveniente. “Muita gente com quem troco mensagens profissionais passou a me seguir. Não posso colocar no Buzz os posts humorísticos que atraem seguidores no Twitter. E pega mal bloquear essas pessoas no Buzz”, analisa.

O Google reagiu às críticas e criou ferramentas para desabilitar as funções automáticas. Com elas, serão compartilhados dados só com quem o internauta autorizar. Os contatos serão sugeridos em vez de criados automaticamente. Será possível até desativar o Buzz.